quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

pejor avis aetas


Há alguns dias sombrios, Camila,
Venho caminhando sem recorrer a atalhos
Procuro um destino qualquer
Nas ruas; em infinitas avenidas da W3

Falta o tempo dos prédios e do asfalto
Falta o tempo do antes e do ontem nessa cidade
Você pensa ser ar o que respira quando vê a luz
& inspira, inspira na ilusão do oxigênio

A mãe que temos nem sequer nos pariu, Camila,
– Nos afogamos em seus fluidos amnióticos
Cada vez que expandimos o tórax – & morreremos
Todos os dias, sem nunca termos visto a luz da rua

Busco caminhos sem precisar recorrer ao destino
– O tempo é largo, Camila  não nos apressemos muito.

Vejo meus próprios olhos agora & eles brilham tanto,
Minha amiga; meu corpo carrega flores em um vestido
Tenho os pés descalços & ainda há terra neles
Entre os dentes eu trago a leveza da primavera

Mas já não há sangue ou calor
Há uma caixa no meio do minúsculo salão redondo
Uma grande caixa, único ponto iluminado
Estou sozinha, & não existe nada pior que o meu silêncio agora
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      Claude Cahun
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1 COMENTÁRIOS |:

Cris Carvalho disse...

Olá!

Adorei o blog, viu!

Tem homenagem para o dia das mulheres, passa lá!

http://mais-que-lacos-nos.blogspot.com/2012/03/com-muito-coracao.html

'Os dias não a esmagarão, nem com toda força que há no cotidiano. Ela encontrará meios de sacudir a poeira do tempo e bordar uma história com final feliz. De afastar os pensamentos que a incomodam e colocar no lugar, um sonho de cor azul.'

beijocas

"Nomear é possuir, controlar. Pela atribuição do nome, aquilo que antes parecia vagar desprendido de qualquer função e comprometido apenas com uma potência de sentido incerto é trazido para junto de uma ordem, de um poder – de uma violência. Nomeamos a “nuvem”, por exemplo, e assim nos confortamos com o pretenso controle que exercemos sobre essa coisa informe, que logo muda e às vezes some, como as coisas que estão continuamente em trânsito: aquilo lá no céu, vejam, é uma nuvem, certamente, e o mundo parece encontrar alguma paz em meio ao acaso."
Artur de Vargas Giorgi

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