Há alguns dias sombrios,
Camila,
Venho caminhando sem
recorrer a atalhos
Procuro um destino qualquer
Nas ruas; em infinitas
avenidas da W3
Falta o tempo dos prédios e
do asfalto
Falta o tempo do antes e do
ontem nessa cidade
Você pensa ser ar o que
respira quando vê a luz
& inspira, inspira na
ilusão do oxigênio
A mãe que temos nem sequer
nos pariu, Camila,
– Nos afogamos em seus
fluidos amnióticos
Cada vez que expandimos o
tórax – & morreremos
Todos os dias, sem nunca
termos visto a luz da rua
Busco caminhos sem precisar
recorrer ao destino
– O tempo é largo, Camila não nos apressemos muito.
Vejo meus próprios olhos
agora & eles brilham tanto,
Minha amiga; meu corpo
carrega flores em um vestido
Tenho os pés descalços &
ainda há terra neles
Entre os dentes eu trago a
leveza da primavera
Mas já não há sangue ou
calor
Há uma caixa no meio do
minúsculo salão redondo
Uma grande caixa, único
ponto iluminado
Estou sozinha, & não
existe nada pior que o meu silêncio agora
.
.
.
.

1 COMENTÁRIOS |:
Olá!
Adorei o blog, viu!
Tem homenagem para o dia das mulheres, passa lá!
http://mais-que-lacos-nos.blogspot.com/2012/03/com-muito-coracao.html
'Os dias não a esmagarão, nem com toda força que há no cotidiano. Ela encontrará meios de sacudir a poeira do tempo e bordar uma história com final feliz. De afastar os pensamentos que a incomodam e colocar no lugar, um sonho de cor azul.'
beijocas
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