terça-feira, 26 de julho de 2011

s.

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tenho medo de ficar só, comigo – por isso durmo; durmo pra flanar o espírito pelas névoas oníricas, durmo pra apagar o corpo que queima por trás da retina; tenho tantos livros na cela em que me encontro, carregando minhas prateleiras de caçadores de coelhos, becos de Goiás, memoriabilias beirando o inteligível, mosaicos e colagens de almas sem corpo em visita ao planalto, dias de festas, Rosários, Remédios, Úrsulas e Amarantas, vi nuvens cinzentas em dias de céu claro, esperas intermináveis, amores nascidos da morte e do deserto, Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito. Tenho me fatigado tanto todos os dias, vestindo, despindo e arrastando amor, infância, sóis e sombras.


mais de s. em: por doses de s

4 COMENTÁRIOS |:

Roberta M. disse...

Uau!! Gostei!!

G. M. disse...

Imagino sentir tal medo. Apenas imagino, pois o verdadeiro sentir é sempre ímpar, mas pluralizado pelos outros.

Hélio Netho; disse...

deixei algo especial para vc no meu blog >>

Anônimo disse...

Belos textos, talento enorme! Não sei porque diabos sonhei contigo a noite inteira. Não faça mais isso, ok? ^^
alguém, que não a conhece tão bem
mas que certamente a tem
como alumbramento da perfeição

"Nomear é possuir, controlar. Pela atribuição do nome, aquilo que antes parecia vagar desprendido de qualquer função e comprometido apenas com uma potência de sentido incerto é trazido para junto de uma ordem, de um poder – de uma violência. Nomeamos a “nuvem”, por exemplo, e assim nos confortamos com o pretenso controle que exercemos sobre essa coisa informe, que logo muda e às vezes some, como as coisas que estão continuamente em trânsito: aquilo lá no céu, vejam, é uma nuvem, certamente, e o mundo parece encontrar alguma paz em meio ao acaso."
Artur de Vargas Giorgi

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