quarta-feira, 27 de abril de 2011

ser [ou O Reflexo]*

1.

Onde você estava
Quando eu enlouqueci
E você não veio me salvar?
.

2.

Um chão
Um porto
Um cais, que seja,
Dos mais fracos
Uma bóia, talvez

Você não veio
Nem soube ser
.

3.

Tudo aqui acontece:
NO ESPELHOSORORROH

Do terceiro-olho

O que está aqui dentro
É esse reflexo aí

Incompreendido

.
4.

(Se o reflexo pende,
O espelho desaba).

.
5.

& você não veio
Não soube ser
Nem dar

Eu mesma juntei pedaços
Cacos do meu mosaico
,disforme & monocromático

(Um espelho quebrado
Traz sete vidas de azar.)

2 COMENTÁRIOS |:

Mell Renault disse...

Menina, me encantei definitivamente com seus atritos aqui. palavras armadilhas são demasiadamente perigosas...

estarei sempre a cair em tentação.

um carinho.
mell

Aline Aimée disse...

Olhei no teu espelho
refletiu brilho de raro matiz.

Bom catar teus cacos de devaneio.

=)

"Nomear é possuir, controlar. Pela atribuição do nome, aquilo que antes parecia vagar desprendido de qualquer função e comprometido apenas com uma potência de sentido incerto é trazido para junto de uma ordem, de um poder – de uma violência. Nomeamos a “nuvem”, por exemplo, e assim nos confortamos com o pretenso controle que exercemos sobre essa coisa informe, que logo muda e às vezes some, como as coisas que estão continuamente em trânsito: aquilo lá no céu, vejam, é uma nuvem, certamente, e o mundo parece encontrar alguma paz em meio ao acaso."
Artur de Vargas Giorgi

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