terça-feira, 12 de abril de 2011

Opaco*

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Você desce as escadas
Menina, em um vestido azul
Em um vestido azul-turquesa

Menina, você está bonita
& desceu as escadas vestida
Da cor do céu de Brasília
(Nesse dia de azul
Depois da chuva de domingo)

Ele olha da janela
Bem em direção aos meus seios
& eu que saí tão menina hoje
Sob o céu azul-turquesa

(Tão menina, daquelas que usam grampos
Em uma das laterais da cabeça
Deixando escorrer cachos amarelos-negros,
Sobre o colo magro,
Vindos dos longos cabelos

- & neles repousa uma borboleta
Infantil em macramé)

Mas ele apontou os olhos castanhos
Direto nos seus seios

–Você viu –

& pôde quase sentir
O pau dele endurecendo
Encostado no calor de concreto
Do terceiro andar

(Ele fez do parapeito da janela
O que faria com meus seios
Enquanto observava o vento
Que levantava o meu vestido azul
Embaixo do prédio)
.
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Você, que saiu tão menina hoje...

4 COMENTÁRIOS |:

r.geremias disse...

ai!

Lara Amaral disse...

Ui, moça! Muito bom!

Beijo.

Elcio disse...

"...menina, q um dia conheci criança, me aparece assim, de repente, linda, virou mulher..."

É isso aí.

Bjs

tresporquatro disse...

Surpreende a leitura que fazem de nós em confronto com o que escrevemos em nossos corpos. Para o bem ou para o mal, surpreende.

"Nomear é possuir, controlar. Pela atribuição do nome, aquilo que antes parecia vagar desprendido de qualquer função e comprometido apenas com uma potência de sentido incerto é trazido para junto de uma ordem, de um poder – de uma violência. Nomeamos a “nuvem”, por exemplo, e assim nos confortamos com o pretenso controle que exercemos sobre essa coisa informe, que logo muda e às vezes some, como as coisas que estão continuamente em trânsito: aquilo lá no céu, vejam, é uma nuvem, certamente, e o mundo parece encontrar alguma paz em meio ao acaso."
Artur de Vargas Giorgi

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