terça-feira, 29 de março de 2011

33*

1.

Há aquele fundo nevoento
Dos cenários sonâmbulos
& oníricos


2.

Na sala de aula cheia
Ela está lá & olha tudo
Mesmo fazendo que não

O que ela quer de você
Com seus olhos de peçonha
Sonsa?


3.

O jornal vem pelos correios
& tem seu nome nele
Em negrito

(É o amarelo da felicidade
Ou aquele da psicologia?)

Enviado por uma mulher
Em quem você jamais
Pensaria


4.

Você encontra alguém querido
Na lanchonete
E seu sorriso lhe diz, calma

Tudo está bem


5.

Tantos passos haviam nos corredores
Agora os escaravelhos lhes comem
Primeiro pelos pés

Depois pelos cérebros

Você joga o jornal sobre seu corpo
Os escaravelhos lêem
& passam.

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"Nomear é possuir, controlar. Pela atribuição do nome, aquilo que antes parecia vagar desprendido de qualquer função e comprometido apenas com uma potência de sentido incerto é trazido para junto de uma ordem, de um poder – de uma violência. Nomeamos a “nuvem”, por exemplo, e assim nos confortamos com o pretenso controle que exercemos sobre essa coisa informe, que logo muda e às vezes some, como as coisas que estão continuamente em trânsito: aquilo lá no céu, vejam, é uma nuvem, certamente, e o mundo parece encontrar alguma paz em meio ao acaso."
Artur de Vargas Giorgi

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