sábado, 9 de outubro de 2010

Superquadra - PARTE 2*

O tal disse curtir classic rock e, embora não soubesse tanto de inglês, era comum ouvir dos amigos que sua pronúncia nos vocais era perfeita; tinha de fato uma bela voz, num primeiro momento pareceu alguém interessante com quem se gastar uma noite – talvez mais; assustou-se com a chegada repentina à mesa de uma das mulheres mais belas que vira, mas disfarçou a admiração escondendo-se sob a máscara da indiferença; ele contou que cursara algo na área de humanas, mas que as teorias não lhe faziam a cabeça como a música e que gostava mesmo era de tomar cerveja, fumar maconha, escrever poesia e compor algumas canções, sem maiores obrigações na vida que não as aulas particulares de violão que dava para ter o que comer e beber no fim do mês e as apresentações da sua banda de bluesuma promessa no novo cenário do rock’n roll brasiliense; coincidentemente trazia na mochila os dois livros que escrevera e que vendia sob a forma de livretos artesanais, já que mercado editorial é coisa pra poucos, e presenteou-a com um deles, o mais recente; fez questão de recitar alguns dos mais belos poemas que escrevera contando detalhadamente os caminhos de seus processos criativos; ela ouvia impassível, acompanhando com o olhar os movimentos contidos do poeta-músico em mais uma das suas tantas histórias noturnas incríveis e inusitadas – como naquele dia em que fumou vários e saiu de casa às 2h da manhã atrás de cigarros em plena W3 Norte – acredita? – e encontrou no meio do caminho um cara com um violão nas costas e uma pinga sob o braço com quem passou o resto da noite fazendo um duo musical como nunca se viu nas calçadas do Plano Piloto; deu uma olhada nos versos do garoto, alguns picos de genialidade, mas de qualidade mediana na maior parte das linhas; o garçom já estava puto com os únicos remanescentes no boteco, ela notou a impaciência e convidou o poeta-músico para uma excursão até sua casa que, obviamente, ele de pronto aceitou.
Acendeu a luz e a sala estava uma zona; ofereceu uma almofada para que se sentasse próximo à mesa de centro enquanto abria um vinho; a essa altura o cara era mais um doidão metido a intelectual, um pedante com dois pés no egocentrismo, de rosto bonitinho e voz gostosa; enquanto ele dissertava sobre Baudelaire, o absinto e a poesia marginal brasileira que tão poucas pessoas conhecem verdadeiramente, sabe?, ela calava, torcendo para que o pau dele tivesse no mínimo 17cm e seu desempenho no sexo fosse pelo menos mediano; cansada do monólogo e sem dizer palavra, chegou perto do rapaz, virou o rosto dele, beijou seus lábios de forma magistral e enfiou a mão direita por dentro de sua calça; de primeira o cara ficou sem reação, mas depois avançou pra cima dela como se houvesse uma força na sala que lhe pudesse fazer evaporar ao menor instante, foi logo em direção aos seus seios – eles, que lhe chamaram atenção pelo tempo quase todo.
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(CONTINUA)
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(Mais de s. em por doses de s)

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"Nomear é possuir, controlar. Pela atribuição do nome, aquilo que antes parecia vagar desprendido de qualquer função e comprometido apenas com uma potência de sentido incerto é trazido para junto de uma ordem, de um poder – de uma violência. Nomeamos a “nuvem”, por exemplo, e assim nos confortamos com o pretenso controle que exercemos sobre essa coisa informe, que logo muda e às vezes some, como as coisas que estão continuamente em trânsito: aquilo lá no céu, vejam, é uma nuvem, certamente, e o mundo parece encontrar alguma paz em meio ao acaso."
Artur de Vargas Giorgi

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