.
.
.
____________ há dias em que o dia insiste em amarrar o tempo com a boca dos dedos, & se os sóis & luas não insistissem suas danças nos céus, o instante transmutar-se-ia em eternidade – & não haveria cortejo fúnebre para o tempo após seu velório inundado de ausências & solidões; vês através do esôfago a falta dos ponteiros que voam & seus pesos recaem sobre teus pés – estes, que em tempo hoje cedido à imensidão, galopavam ligeiros & nus apostando corrida com o vento em dia de chuva; contemplas agora música que goteja do relógio azul escolhido com esmero para tua cozinha, o que vês? hora/após/hora é tão-somente um número que se repete ante o movimento matemático do tempo; não se movem os ponteiros – é no mesmo espaço que se fundem a chegada e a partida; por tanto achastes que o tempo colara asas em suas costas & que alçava vôo tendo os olhos sempre em frente, & agora, nesses dias de ver chuva cair na vidraça, tens a certeza de que o dia prendeu o tempo em suas mãos & de que o pouco que insiste em passar, são apenas gotas teimando escorrer por entre os dedos do mundo, pingando segundos/minutos sobre teus cabelos, tão lentamente que nem chegas a perceber – sim, o tempo se move por dentro dos teus olhos, menina, & exala primeiro cheiro de grama molhada para depois liberar seu odor quase cítrico de musgo apodrecido, anunciando o cessar das estáticas danças dos ponteiros de teu relógio oceânico
.
.
.
.
.


1 COMENTÁRIOS |:
Genial!
Quando te leio, percebo como você vai além nas questões mais profundas.
Intenso.
Gosto muito disso!
beijos :)
e ah, o que você disse no meu blog fez muito sentido para mim. obrigada!
:*
Postar um comentário